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Escrever sempre foi um hobbie e uma forma de tratamento para os momentos mais difíceis ao longo da minha formação como indivíduo. Nunca imaginei que meu trabalho viria ao encontro de tantas pessoas. Que tantos se identificariam com os sentimentos com os quais lido em meus trabalhos. Criei esse blog como um backup de minhas poesias, por medo de que se perdessem caso não as tivesse em rede. Hoje tenho um público cada vez maior e que, mesmo com minhas prolongadas ausências, continua a acompanhar minhas postagens. Agradeço pelo interesse, de verdade.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Ópio

O veneno em tua boca
Anestesia minha dor
Acalenta em teu seio
Meu desejo
Acalma minha alma
Com teu beijo
No seu límpido néctar de flor
O mais puro êxtase de prazer
No âmago do teu corpo
Minha alma reflete em teu espelho
Cristalino orvalho da manhã
Meu corpo é um com o seu
Mas o sonho se encerra
No raiar frio do dia
Minha mente grita em agonia
Procura e tenta te alcançar
Sinto a amarga abstinência
De, ao longe, te amar.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Soneto da Dor

Guardo meu sentimentos em gaiola de aço
Aqueles que me machucam ou me desgastam
Estão em poemas em que eu me desgraço
As vezes, apenas palavras já não me bastam.

Poemas felizes já não me agradam,
Só poemas sobre sofrer me vem a mente.
E que apenas estes minha alma invadam,
Desejando paz, derramo sangue quente.

Estupida-mente me empurrando para o abismo profundo,
Descarrego o sentimento, sem pensar no futuro.
Estou preso no infinito do agora e me vejo no escuro.

Em meus sentimentos, baratos e vis, eu afundo.
O medo me perseguiu, no calar do escrito.
Estou agora calado, trancado, restrito.

Por Que(m) Escrevo

Meu coração em prantos urra a dor da incerteza.
O desconhecido futuro é o mais negro dos augúrios.
O incerto se faz por claro o mais sombrio.

Me engasgo em palavras tortas, duras de engolir
Descarrego uma torrente dolorosa de sentimento
Escrevo como se dependesse disso para viver,
E não dependo?

Sufocando no medo que me paralisa,
Enterrado em pesadelo acordado,
As correntes que me pesam
São grilhões de sangue vertente.

Se eu conseguisse escapar do mal que me cerca,
Se eu encontrasse luz neste abismo sem fim,
Se o monstro, medo, que me devora fosse morto
Se houvesse paz em mim...

Escrever-te não iria.

As Duas Faces da Violência

A violência nunca é gratuita.
Ela custa caro...

Custa o sofrimento da mente.
O tormento da alma.
A dor da carne.

A cada mão que bate,
A cada coração que para de bater,
A cada palavra dura.

Um rosto apanha,
Uma mão empunha a arma,
Uma boca vocifera.

Agressor e agredido
Cara e coroa da mesma moeda
Tão visceralmente unidos em dor.

Conflito

O presente é a cela solitária da minha prisão perpétua.
Tento ver o futuro pelo buraco da fechadura, vislumbro as sombras distorcidas dos meus medos.
Meu único crime foi meu passado, ou teria sido o distino?

Julgamento

No julgamento onde:

Deus é juiz,
O Diabo promotor,
A Fortuna advogada,
E o Destino juri,
Eu sou o reu.
Decisão unânime.
Culpado.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

O Roubo da Paz

Busco por algo que me foi tirado
A paz roubada de minha mente
O tormento que me foi ofertado
Retumbante em meu peito
Consome minha energia lentamente.

Se desejar minha segurança é defeito;
Imaginando que o mundo fosse perfeito,
Me deparei com a brutal realidade
Que me tirou toda tranquilidade;
Então que o medo seja aceito.



Filha Ingrata

Dor,
Filha ingrata de nossa alma
Mama nossas lágrimas ao peito
Dorme aninhada em nosso coração.
Quando desperta,
Brada por nossa atenção
Nos toma como seu refém.
Acalantamos até que ela durma
Nos dedicando a conforta-la
Até que ela volte a gritar no peito.

Faxada Destruída

Vago como um cego por ruas sinuosas e estreitas,
Ludibriado com as mentiras nunca pronunciadas.
A realidade é uma faxada que oculta algo negro.

Erro crente na segurança justa da civilidade.
A barbárie me cerca e eu não vejo, não sinto.
A violência é uma adaga oculta na mão de um assassino.

Minha mente se estilhaça em fragmentos finos de medo,
A faxada é destruída em apenas um instante lúcido.
A adaga entra fundo na'lma e me desola.

Abro meus olhos aflitos e enxergo a brutalidade.
A sujeira vil que a escória do mundo alimenta.
Cambaleante, ferido, eu vago por ruas sinuosas e estreitas.

Agora eu vejo e tudo que desejo é voltar a ser cego.


Paranoia

O medo rasga as cortinas da normalidade com suas garras agudas. Rastejando de dentro das frestas escuras da mente, enterrando fundo suas raízes malditas.
O silêncio é o som dos pesadelos acordados. Gritando de dentro do cárcere do peito, batendo forte nas paredes do coração, o pânico me oprime. 
Afundo em angustia, me afogando em grito calado, enquanto o medo me empurra para baixo, para dentro...