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Escrever sempre foi um hobbie e uma forma de tratamento para os momentos mais difíceis ao longo da minha formação como indivíduo. Nunca imaginei que meu trabalho viria ao encontro de tantas pessoas. Que tantos se identificariam com os sentimentos com os quais lido em meus trabalhos. Criei esse blog como um backup de minhas poesias, por medo de que se perdessem caso não as tivesse em rede. Hoje tenho um público cada vez maior e que, mesmo com minhas prolongadas ausências, continua a acompanhar minhas postagens. Agradeço pelo interesse, de verdade.

sábado, 7 de março de 2026

Ato 11 - A Inquisição

 "Algum tempo se passou desde a noite fatídica em que Draskull bateu em minha porta. O avanço da corrupção havia se estabilizado, mas ainda me causava constante agonia. Entre delírios de febre e dor, dediquei minhas últimas forças na busca de algo que pudesse reverter esse quadro. Nada nas anotações de Nassus, ou mesmo os conhecimentos proibidos da bruxa Adela falavam sobre essa condição. Precisei navegar sozinho em águas desconhecidas e traiçoeiras. Isso me exigia tempo... Mas o tempo estava ao favor de minha adversária. Ela podia esperar até o final dos tempos. Eu não. Como a própria corrupção que se espalhava, os boatos também se intensificavam. De santo milagroso, fui rapidamente convertido em demônio da pestilência. Não tardou até que agentes da Inquisição descobrissem sobre minha condição. Mesmo longe da influência da Igreja de Prios, mesmo no isolamento de Villamahar, a longa mão da Inquisição chegou até minha porta. Fui arrastado para fora da minha Casa de Cura e levado até o centro do vilarejo. Rostos assustados assistiam com curiosidade e pavor... Eles não temiam por mim... Temiam A MIM. Mesmo Angus e Anthonia abaixavam seus rostos e desviavam o olhar. Busquei na multidão alguém, alguma pessoa dentre tantas, que me visse com compaixão... Nada. Apenas uma massa amorfa de rostos estranhos, distantes e indiferentes. Fui despido em frente a todos. Minha corrupção, exibida como prova de um crime imperdoável. Gritos e vaias ressoaram. Acusações de feitiçaria, profanação e depravação ecoaram em coro. Vizinhos acusavam uns aos outros de terem compactuado com minha mácula e um novo medo brotou: eles poderiam executar mais pessoas além de mim, se acharem que estão mancomunadas comigo! 'PAREM!' gritei com todas as forças que eu tinha. A multidão se calou por um instante e retomou a balburdia ainda mais frenética. 'ESCUTEM! NÍNGUEM PARTICIPOU DISSO. EU SOU O ÚNICO QUE DEVE SOFRER!' - Mas a Inquisição não escutou. Arbitrariamente, passaram a capturar os acusados e arrasta-los para interrogatório. Vi Angus lutando contra um Inquisidor antes de ser atingido por uma alabarda. Gritei com todas as forças, mas minha voz não tinha nenhum poder ali. A perseguição durou algumas horas. No final da tarde, dezenas de pessoas estavam amarradas em pilares, sendo chicoteadas e interrogadas. Entre os Inquisidores, eu podia jurar ter visto alguém cuja forma me remeteu Dullihan e seu capuz cônico. Mas eu não tinha mais forças e nem tempo para pensar nisso. Ao anoitecer daquele dia, fui condenado a execução. Outras doze pessoas, incluindo Anthonia e seus filhos, também seriam executadas por conspirarem com o profano. Ao me deparar com a forca, lembrei de Von Heither, 'Você MERECE MORRER' . Era inevitável. Aquilo era um xeque mate. Foi uma árdua e injusta disputa e ela iria acabar agora. A sentença foi lida. Uma prece à Prios foi entoada. A corda foi amarrada em meu pescoço. Com o último raio de luz do Sol e o despontar da primeira estrela, a Escuridão me encobriu e meu corpo balançou."

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