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Escrever sempre foi um hobbie e uma forma de tratamento para os momentos mais difíceis ao longo da minha formação como indivíduo. Nunca imaginei que meu trabalho viria ao encontro de tantas pessoas. Que tantos se identificariam com os sentimentos com os quais lido em meus trabalhos. Criei esse blog como um backup de minhas poesias, por medo de que se perdessem caso não as tivesse em rede. Hoje tenho um público cada vez maior e que, mesmo com minhas prolongadas ausências, continua a acompanhar minhas postagens. Agradeço pelo interesse, de verdade.

sábado, 7 de março de 2026

Ato 4- A Tortura

 "Antes que eu pudesse sequer entender a razão pela qual o rosto de todos se convertera em uma máscara de medo, ódio, ou nojo, um golpe seco na minha nuca me nocauteou. Acordei com a cabeça latejando, os braços firmemente atados em uma cadeira dura, em uma sala escura com cheiro pesado de umidade e secreções humanas... Um cheiro de pânico permeava o lugar. Comecei a gritar pedidos de desculpas, jurando q nunca mais iria sair de casa, que não iria mais me envolver com as outras crianças... mas meus gritos só foram respondidos pelos ecos de minha própria voz, ressoando de forma ameaçadora pelos corredores do calabouço. Algumas horas se passaram. Eu sentia a voz falhando, após tanto gritar. A garganta estava seca e dolorida. Então escutei passos pesados no corredor e um tintilar de chaves. A robusta porta da cela se abriu com um rangido de protesto das dobradiças enferrujadas. Um homem vestindo roupas negras e um capuz cônico entrou na cela. Ele carregava em mãos uma tenaz e em seu cinturão uma miríade impressionante de facas e outros instrumentos com propósitos macabros. Eu senti um frio que veio do fundo da alma... Ele era Dullihan, o carrasco que meu pai trouxera de Ambria junto com seu pelotão... Ele dizia que 'para conquistar um lugar era necessário dobrar seus habitantes de maneira apropriada', mas Dullihan fazia mais do que 'dobrar'... Ele quebrava. Durante incontáveis ciclos solares, eu sofri incontáveis tipos de angústias... Privação de sono, falta de comida e água, torturas físicas das mais sutis e precisas, até as mais grotescas e brutais... Meu corpo foi destruído e consertado tantas vezes que eu perdi as contas... Mas sempre que me 'consertavam', algo ficava pra trás. Primeiro, meu olho esquerdo. Após um golpe tão forte que levei, ele estourou e precisou ser removido. Então foi minha perna direita. Ela ficou tão quebrada que nunca calcificou corretamente. Costelas, quebrei todas. Braços? Ambos foram fatiados deixando cicatrizes monstruosas. Tive hemorragia interna e quase morri algumas vezes... Mas, meu pai não permitiria que eu me fosse sem revelar onde estava o VERDADEIRO Hellicar... Por isso ele convocou um Cirurgião-Apotecário para tratar meu corpo debilitado... Esse homem era Nassus. E ele se tornaria meu melhor amigo e salvador. Ele me ensinará tudo que eu sei hoje... mas essa é uma história que fica pra próxima."

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