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Escrever sempre foi um hobbie e uma forma de tratamento para os momentos mais difíceis ao longo da minha formação como indivíduo. Nunca imaginei que meu trabalho viria ao encontro de tantas pessoas. Que tantos se identificariam com os sentimentos com os quais lido em meus trabalhos. Criei esse blog como um backup de minhas poesias, por medo de que se perdessem caso não as tivesse em rede. Hoje tenho um público cada vez maior e que, mesmo com minhas prolongadas ausências, continua a acompanhar minhas postagens. Agradeço pelo interesse, de verdade.

sábado, 7 de março de 2026

Ato 12 - o Abraço Negado

 "O último som que ouvi foi um choro desesperado. Não por minha causa, mas por outra vida ceifada em meu nome. A última coisa que vi foi uma multidão enlutada, enfurecida, feliz de ver que o 'mal' havia sido expurgado dali. Nenhum rosto trazia compaixão. Nenhum afeto. Elara... Eu queria Elara... Um último abraço... Por que não ouvi ela? Por que deixei que partisse? Bom. Melhor assim, ou ela estaria pendurada em uma forca ao seu lado. O ultimo cheiro que senti foi o perfume de vinho caro e jasmim e bigarade (Citrus aurantium). O Inquisidor Chefe tinha o mesmo cheiro... Então o cadafalso improvisado foi solto e eu cai. Um som de estalo foi ouvido por todos, mas eu já não podia ouvir. Fui imediatamente devorado por uma escuridão sem fim. Essa foi a minha morte. Enfim, cara-a-cara com minha adversária... Eu à desafiei e perdi. Eu lutei a luta justa, mas a Morte não segue regras. Ela impõe as regras. Um tempo infinito se passou. Minha alma em suspensão no firmamento. Entre estrelas, o Sol e a Lua, vaguei livre pela primeira vez. Mas aquilo não era liberdade. Era a destruição das possibilidades, o fim da esperança. Eu perdi. Era o fim. Então... Por que? Por que eu ainda sentia... Sentia o peso da terra... O cheiro da umidade e da podridão? Então despertei. O escuro omnipresente ocupou minha visão. Tentei respirar, mas terra entrou em minha boca. Não senti vontade de tossir, nem falta de ar. Meu peito não estava agitado. Na verdade, ele parecia nem estar batendo. Tentei me mover, mas algo fez resistência. Terra. Uma certeza fria foi tomando forma. Eu estava Morto. Mas não estava. Isso estranhamente não me assustava. Parecia certo e extremamente errado ao mesmo tempo... Uma última ironia de minha inimiga... Claro... Ela não me aceitaria em seus braços... Ela me negou seu abraço final. Agora eu jazia na terra como um cadáver... Mas eu estava vivo... Ou quase."

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