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Escrever sempre foi um hobbie e uma forma de tratamento para os momentos mais difíceis ao longo da minha formação como indivíduo. Nunca imaginei que meu trabalho viria ao encontro de tantas pessoas. Que tantos se identificariam com os sentimentos com os quais lido em meus trabalhos. Criei esse blog como um backup de minhas poesias, por medo de que se perdessem caso não as tivesse em rede. Hoje tenho um público cada vez maior e que, mesmo com minhas prolongadas ausências, continua a acompanhar minhas postagens. Agradeço pelo interesse, de verdade.

sábado, 7 de março de 2026

Ato 1 - A Troca

"Minha primeira lembrança é estar enrolado em uma coberta quente. Braços gentis, mas rígidos me carregavam. Um choro ecoava na noite, mas não era minha voz. Outro bebê... Um bebê diferente... Chorava em seu berço imponente. Mal pude ver aquele embrulho barulhento, quando ele foi rapidamente apanhado no braço livre, enquanto eu era posto gentilmente em seu lugar. Não lembro das palavras exatas, mas ELE me falou algo gentil e me aninhou no berço feito com esmero por algum artesão talentoso. O bebê calou-se ao toque do dedo DELE, que o aninhou em seu colo. Antes de partir de volta para a noite, ele removeu minhas cobertas e cobriu-me com as cobertas finas de peles alojadas sobre o berço. Por último, ele disse algo que eu nunca soube o significado, mas posso imaginar que fosse "boa sorte, pequenino". Seu ultimo afago foi um suave abraço. Então, secretamente, ele me deixou um anel com sinete escondido dentro do travesseiro de plumas. Anos depois, descobri que ele fazia isso com todos os bebês aos quais trocara. Deixava um pequeno objeto de baixo valor com a criança e uma copia idêntica ele mantinha para si. Cada objeto era único no mundo, fora seu par. Só voltaria a ver aquela pessoa muitos anos depois... Mas essa é uma história para outro momento."

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