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Escrever sempre foi um hobbie e uma forma de tratamento para os momentos mais difíceis ao longo da minha formação como indivíduo. Nunca imaginei que meu trabalho viria ao encontro de tantas pessoas. Que tantos se identificariam com os sentimentos com os quais lido em meus trabalhos. Criei esse blog como um backup de minhas poesias, por medo de que se perdessem caso não as tivesse em rede. Hoje tenho um público cada vez maior e que, mesmo com minhas prolongadas ausências, continua a acompanhar minhas postagens. Agradeço pelo interesse, de verdade.

sábado, 7 de março de 2026

Ato 2 - A Gaiola D'ouro

  "Minha segunda memória mais antiga é de aproximadamente cinco anos depois da primeira. 'Porque?', alguns perguntariam, mas como é que eu vou saber? As memórias são assim... Eu acho... Enfim... Minha segunda memória é de meus 'pais'. Meu pai era um homem respeitado e temido. Um oficial da guarda Ambriana que havia sido destinado para um posto avançado em uma vila próxima ao território bárbaro. A expedição era um experimento para uma migração em massa que se aproximava. Minha 'mãe' era uma perfeita donzela. A nobreza que lhe faltava no sangue, comprara com o ouro de sua família tradicional de comerciantes. Ela era exuberante em joias, vestidos e perfumes. Tudo que pudesse torna-la o centro das atenções era visto como um artifício válido a ser usado... E sim, sua criança era o maior trunfo para ela. E assim foi por alguns anos. Meu pai ocupado, severo e distante. Minha mãe excessivamente perto, mas emocionalmente desligada. Eu era um bibelô para exibição. Um herdeiro para uma carreira militar brilhante. Um prodígio para ser exaltado... Mas... Eu era solitário. Nunca permitiriam que eu me envolvesse em brincadeiras com as crianças 'sujas' da vila... 'Bárbaros... É isso que elas são!' repetia meu pai. 'Nunca ande com essa plebe imunda Hellicar! Vão lhe passar doenças e vermes nojentos!' E eu obedeci... Eu via da janela, em minha gaiola de ouro, as crianças da vila trabalhando, brincando e se divertindo... Enquanto eu existia. E assim foi até meu sétimo verão."

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